TEDxSP

Olha, uma das melhores coisas que eu fiz nos últimos tempos foi preencher aquela ficha de inscrição enorme de seleção do TEDxSP. Na verdade, tudo começou ali pra mim. Eles queriam saber o que eu estava fazendo, o que eu penso, o que eu acho, e eu que já tinha visto alguns videos das edições da gringa e lido alguma coisa sobre o famoso evento, fiquei entusiasmadíssimo com a proposta.

Logo pensei, será que eles trazem o Al Gore pra cá, ou alguém tão famoso quanto? Como estava enganado, afinal, quem diria que uma velhinha de 92 anos é que me faria chorar? Eu tô falando da Dona Adozinda, uma das ilustres palestrantes da primeira edição da conferência, e educadora há 75 anos. Sem esquecer da Regina Casé, a mulher engraçada da TV, que eu conheço desde criancinha.

Eu descobri que o trabalho da Regina vai muito além de divertir as pessoas, e que se tem alguém que consegue definir o melhor do Brasil, é a apresentadora. No final de sua apresentação, ela descreveu a seguinte cena: Uma velho bangelo, dançando com uma gostosona, uma preta gorda, uma bixa, todos em uma mesma festa. E assim definiu o nosso país. É logico que eu não escrevi com a naturalidade da Regina, mas aquela cena fez muito sentido pra mim, é a cena que eu não me surpreenderia em ver por aí, porque esse é o lugar onde a gente vive, isso é o que a gente é.

Outro que me deu um nó na garganta enorme foi o Guti Fraga, o cara por trás do Nós do morro. Da primeira à última palavra, Guti foi brilhante. Que vigor tem aquele homem, quanta energia. Aquele foi o momento em que eu me virei e vi o quanto eu queria ter um pouco de Guti em mim, fazer alguma coisa incrível também. E aí o meu mundo caiu.

Tanto nas falas da Regina, do Guti, do Ronaldo Lemos e de outros palestrantes, a periferia foi uma palavra muito presente. O que é popular, o baile funk, o tecnobrega. E agora eu vou chegar na parte pessoal da história.

Nasci e moro em São Matheus, extremo leste de São Paulo. E posso estar muito enganado, mas diferente da maioria das outras pessoas que estavam lá, a periferia está muito presente na minha vida, é algo que eu não consigo, não posso escapar, é onde eu moro, onde eu nasci. E agora eu tô me sentindo muito cuzão, porque eu sempre achei qualquer manifestação cultural daqui uma merda, sempre evitei. É como se eu fosse desse lugar e ao mesmo tempo não fosse. Não aproveito.

O #TEDxSP serviu pra eu repensar o que eu ando fazendo com o meu espaço, minha área de convívio e só por isso já valeu muito a pena. Não sei exatamente o que, mas tô morrendo de vontade de botar a mão na massa também.

E não dá pra falar sobre o evento sem citar outras palestras incríveis, como a do João Paulo Cavalcanti, Augusto de Franco, Denis Burgierman, entre outras. E também não dá pra pensar no TED sem se lembrar das apresentações fantásticas do Vítor Araújo, o pianista de 20 anos e da Thalma de Freitas, que eu já era fã e agora sou mais ainda, aquela mulher é sensacional.

Obrigado pelo dia lindo, aos palestrantes, aos convidados, à platéia e principalmente aos organizadores disso tudo. @haraujo (responsável também pelo busk.com) @raphav, @dudex e todos os envolvidos, eu quero ser igual a vocês quando eu crescer.

Notes 1

Tags #pessoal   

blog comments powered by Disqus
  1. flpr posted this