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Ao infinito e além

A primeira vez que eu assisti a Toy Story não foi no cinema, foi na casa da professora Lilian. 1995, 5 anos, jardim 2 do Sonho Infantil, a escolinha na rua de trás da minha casa. A professora Lilian foi a mais legal de todas as professoras da minha infância, e no dia em que ela me levou com um grupo pequeno de alunos até a sua casa para conhecer a história do Woody e do Buzz, eu me senti realmente especial. A gente se acomodou na garagem dela, e assistimos, todos encolhidinhos, ao primeiro filme em 3d de nossas vidas. De primeira eu achei aquilo tudo meio estranho, meu parâmetro de desenho ideal era Rei Leão, mas com o tempo Toy Story acabou me conquistando.

Hoje eu assisti ao terceiro filme da série e me senti meio Andy. Ok, entrei na faculdade há 2 anos atrás, mas é inevitável não lembrar da zona que eu fazia aqui na sala de casa, jogando todos os brinquedos pelo tapete, criando mil universos diferentes com vilões, mocinhos, super reviravoltas e tudo o que as histórias mais legais do mundo precisam ter.

Acho que isso é coisa de filho único, a gente acaba dando um valor tão tão grande pros nossos brinquedos que eles acabam se tornando os nossos melhores amigos. Eu conhecia e me recordo de cada um deles, afinal, é pra eles que eu recorria quando minha mãe brigava comigo, algum garoto idiota enchia o saco na escola ou meu pai não vinha me visitar. Eles estavam sempre ali, eram meus e me entendiam.

Diferente do Andy, não consegui guardar os mais especiais num baú antigo, meus priminhos sempre vêm aqui em casa e acabam encontrando um lego ou cavaleiro do zoodíaco guardado em algum lugar, e eu, com aperto no coração, sempre os “empresto”, sabendo que provavelmente não voltarão para cá tão cedo. Tudo bem, porque eles não fazem a linha destruidores de brinquedos, e porque eu gosto de vê-los criando outras histórias para os meus tão conhecidos personagens.

A verdade é que é muito estranho pensar nessas coisas de infância, especialmente nessa fase em que a gente ainda não sabe se cresceu, se é o que a gente chamava de “adulto” há uns dez anos atrás, ou ainda não. E eu não gosto de pensar nisso, mas indico Toy Story 3 pra todo mundo, se você tem um filho, faça isso por ele. É um filme lindo. Mais uma vez a Pixar usou a técnica infalível de ganhar o jogo nos 15 primeiros minutos, revivendo a infância do Andy junto com os seus brinquedos e avisando aos espectadores que o garoto tinha crescido.

Diferente de Wall-e e Up, que também têm inícios geniais porém tornam-se um pouco cansativos no decorrer do filme, Toy Story conseguiu me envolver do começo ao fim, mas talvez você não devesse levar essa afirmação a sério, afinal, cresci junto com o Woody, só podia ser assim.

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